18.9.08

Solo de Flauta


J.M.W. Turner (1775 - 1851)


Meia-noite, meia-luz, algo em que me finjo espreita a sala pequena, pequena em relação à outra, mas imensa em relação a mim. Eu que deito e não tenho sono, eu que sou palavras quando esqueço de sonhar. Embalo. As letras agrupam-se sozinhas, transmutam-se em imagensons. Chove. Corre água. Corre gente... Fugir, para onde? Se é tudo mar. Desponta aquela luz, já te conheço, aparece-me nas noites de mim, nas noites longas onde tudo se oculta e apalpo a razão com meus gritos. Você que é alheia a minha vontade; divido tudo, o indivíduo que sou e não se basta quer espelhos para se mirar e não ver. Reflito-me em você luz de noite, luz guia, luz que cega. És como um farol para os navegantes perdidos de rotas e direções. Nesses mares de vida, onde remamos em círculos, nadamos para nos afogar, e na calmaria boiamos a deriva de lugares, de pátrias, sentido. Soltos nas ondas, cruzamos mares em instantes e qualquer vento, quem sabe, nos devolve o horizonte. Melhor assim. Prefiro o mar. Não escolho, mas prefiro. Já conheci lugares áridos e desertos, sem água a vista clareia e o pensamento chega ao limite. Aqui tão líquido, plasmo formas de ser, não penso, e sou. Unifico mundos, os invento e os afogo dentro daquilo que pareço possuir. Na correnteza desse mar se encontro bóias de que me adiantaria agarra-las em desespero? Que passem por mim, que passem... E não deixem nem lembranças...










2 comentários:

Anônimo disse...

Eu gosto muito disso!
Abraços, Douglas.

Anônimo disse...

Não sei se gosto, ás vezes sim. Gosto que gostem. Egocentrismo, ou necessidade de ser outros? Vai saber... Grande Abraço

Mundo, mundo, vasto mundo...

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